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Vale a pena consertar o notebook antigo ou é hora de trocar?
A dúvida costuma aparecer de repente. O notebook começa a demorar para ligar, a bateria não segura meia hora fora da tomada, a tela trinca numa queda ou o aparelho simplesmente apaga no meio do trabalho. Em Teresina, onde o calor passa dos 38 graus em boa parte do ano e a poeira se acumula com facilidade, esse desgaste chega mais cedo do que em regiões de clima ameno. Não existe uma regra única que sirva para todos os casos, mas dá para tomar uma decisão sensata comparando três coisas: quanto custa o reparo, quanto o aparelho ainda vale e por quanto tempo ele vai continuar atendendo ao que você precisa. A equipe editorial da Asia Computadores reuniu aqui os critérios que mais ajudam nessa conta.
Um ponto de partida usado por muitos técnicos é simples: se o conserto passa de mais ou menos metade do preço de um modelo novo equivalente, a troca tende a fazer mais sentido. Essa referência, porém, precisa ser cruzada com a idade da máquina. Um notebook de três ou quatro anos, com processador razoável e oito gigas de memória, normalmente merece o reparo. Já um aparelho com seis ou sete anos, ainda com disco rígido mecânico e quatro gigas de memória, dificilmente compensa um conserto caro, porque mesmo depois de arrumado continuará lento para tarefas comuns como videochamadas, planilhas pesadas e várias abas abertas no navegador.
Alguns defeitos quase sempre valem o investimento, porque envolvem peças baratas ou fáceis de encontrar. Bateria viciada, teclado com teclas falhando, carregador danificado, dobradiça quebrada e tela trincada entram nessa lista na maior parte dos modelos populares. A limpeza interna com troca da pasta térmica também costuma valer muito a pena aqui na região: ventoinha entupida de poeira faz o processador esquentar, reduzir a velocidade sozinho e, com o tempo, desligar. Outra atualização que muda a experiência de uso é trocar o HD por um SSD e, quando a placa permite, acrescentar memória. Com essas duas mudanças, muitos aparelhos que pareciam condenados voltam a abrir programas em poucos segundos.
Do outro lado estão os defeitos que pesam contra o conserto. Problemas na placa-mãe, especialmente em modelos com processador, memória e vídeo soldados, exigem reparo delicado e nem sempre duradouro. Notebook que recebeu líquido e ficou dias guardado costuma ter corrosão espalhada, e o técnico pode resolver uma falha hoje e outra aparecer semanas depois. Também vale olhar a ficha técnica: processadores muito antigos podem não ser compatíveis com as versões atuais do sistema operacional, o que deixa a máquina sem atualizações de segurança. Se as peças do modelo já saíram de linha e só existem usadas, o reparo fica mais incerto e a espera pode ser longa.
Há fatores bem nossos que entram na decisão. As oscilações de energia, comuns em vários bairros da capital e em cidades como União, Altos e Demerval Lobão, queimam fontes e circuitos de carga com frequência. Se o notebook já teve problema elétrico uma vez e continua ligado direto na tomada, sem filtro de linha de qualidade, estabilizador ou nobreak, a chance de repetir é alta. Por isso, coloque na conta também o custo da proteção. Outro ponto é a distância: quem mora no interior muitas vezes precisa vir a Teresina ou Timon para deixar o aparelho, e para um pequeno negócio cada semana sem computador representa vendas e serviços atrasados, o que às vezes pesa mais que o valor da peça.
Antes de qualquer decisão, faça uma cópia dos seus arquivos. Fotos, documentos e planilhas devem ir para um HD externo, um pendrive ou um serviço de armazenamento em nuvem, porque alguns reparos exigem formatar o disco. Depois, confira se o aparelho ainda está dentro do prazo de cobertura do fabricante e localize a nota fiscal, que é o documento que comprova a data da compra. Além da cobertura oferecida pelo fabricante, o Código de Defesa do Consumidor assegura prazo para reclamar de defeitos em produtos duráveis. Evite abrir o equipamento por conta própria enquanto houver cobertura, porque isso pode anular o atendimento.
Quando levar o notebook a uma assistência, peça que o diagnóstico seja registrado por escrito, com a peça a ser trocada, o valor estimado, o prazo e o prazo de cobertura do serviço. Pergunte se a peça é original ou compatível, porque isso afeta durabilidade e preço. Em seguida, pesquise quanto um modelo igual ao seu vale usado em anúncios da região. Se o conserto custa quase o mesmo que o aparelho vale no mercado, provavelmente é hora de trocar. Faça também uma pergunta honesta: depois de consertado, ele vai dar conta do que eu faço hoje e do que vou precisar nos próximos dois anos?
Se a escolha for pela troca, o aparelho antigo ainda tem utilidade. Ele pode ser vendido para aproveitamento de peças, doado para alguém que só precisa de tarefas simples ou usado como máquina reserva em casa. Antes de passar adiante, apague os dados com segurança e desconecte suas contas. Quando o equipamento não tiver mais conserto, não descarte no lixo comum: baterias e placas contêm materiais que contaminam o solo, e existem pontos de coleta de eletrônicos em lojas e redes de supermercado da capital. Pensar no destino do notebook velho faz parte de uma decisão bem feita, tanto quanto escolher o próximo modelo com atenção à ficha técnica e às condições de calor, poeira e energia que ele vai enfrentar por aqui.